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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sr.Jesus

 

Seu Jesus, patriarca do quilombo do seu nome, no Rio São Miguel, faleceu sexta feira passada, dia 20 de Maio de 2011. A vida dele não foi em vão. Mostra disso são todos os seus descendentes que formam a primeira comunidade quilombola com território reconhecido e titulado de Rondônia, o Quilombo do Jesus, situado às margens do Rio São Miguel, no município de São Miguel do Guaporé.
Seu Jesus durante anos resistiu as pressões e ameaças dos grandes fazendeiros, que desmataram e grilaram impunemente as terras públicas destinadas  a assentamentos do Projeto Primaveira.
Quando a comunidade recebeu o reconhecimento público de comunidade quilombola, já tinha perdido os preciosos castanhais e estava encurralada na beira do Rio São Miguel. As terras da comunidade de Seu Jesus vão garantir a continuidade da família e são bem preservadas,  vizinhas da Rebio do Guaporé, da área indígena do Rio Branco e às terras dos indígenas miquelenos e puruborás. Veja matéria de Gente de Opinião, dennciando que os quilombolas como seu Jesus estão sendo assediados pelos madereiros.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Comunidade recebe título de terra

Comunidade quilombola em Rondônia recebe título de terra

por Secom em 22/10/2010 19:31hs

Localizada a 108 km do município de São Miguel do Guaporé (RO), a Comunidade de Jesus, reconhecida como quilombola, recebeu do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o título de domínio das suas terras. Foi a primeira entrega de terras a uma comunidade quilombola de Rondônia. A área titulada tem 5.627,30 hectares, sendo 10% em terra firme e o restante em florestas inundáveis. O território está dentro da faixa de fronteira, o que exigiu autorização do Conselho de Defesa Nacional para emissão do título.
De acordo com o superintendente regional do Incra/RO, Carlino Lima, a conquista é fundamental para a comunidade quilombola. "Apesar de ainda terem muitas carências devido a um processo histórico, especialmente de infraestrutura, educação e saúde, a titulação vai trazer segurança jurídica para os moradores iniciarem uma nova etapa na vida da comunidade", afirmou.
O título foi outorgado à Associação Quilombola Comunidade de Jesus e possui caráter perene, coletivo, pró-indiviso e sem prescrição, ficando vedada qualquer negociação das terras e devendo permanecer sob o uso e posse dos moradores e de seus sucessores legítimos.  De acordo com o expresso no verso do documento, o imóvel é destinado às atividades extrativistas, agroindustriais, culturais e de preservação do meio ambiente para garantir a auto-sustentabilidade local.
Rondônia possui outras comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares como Santo Antônio, Pedras Negras, Forte Príncipe da Beira, Santa Fé e Laranjeiras. O superintendente do Incra/RO garantiu que o órgão está empenhado na continuidade da regularização de todas as comunidades, georreferenciando, demarcando e titulando suas áreas.

Comunidade Jesus

                                                            Comunidade Jesus
               A Comunidade Jesus encontra-se localizada no Município de São Miguel do Guaporé, nos limites da área onde foi instalado o Projeto de Colonização Agropastoril Primavera; a Comunidade Remanescente Quilombola de Jesus constitui-se na mais afastada comunidade de remanescentes quilombolas rondonienses em relação ao Vale do Guaporé, pois se formou próximo as margens do alto Rio São Miguel.
            Estas terras eram exploradas na década de 1930 pela família de Luiza Assunção que se casou com o senhor Jesus de Oliveira,na década de 40, passando a residir nessas terras e promover a sua auto-sustentação a partir das seringueiras, castanheiras, além da pesca e caça. 
        O principal problema sofrido por esta comunidade é a posse de suas terras; pois a área pleiteada pela comunidade de Jesus encontra-se inserida na Gleba Rio Branco e Bom Princípio III, dentro da faixa de fronteira, sem sobreposição com terras indígenas ou unidade de conservação nos municípios de São Miguel do Guaporé e Seringueiras no estado de Rondônia.
       A territorialidade da comunidade de Jesus se expressa pelo uso e reconhecimento dos espaços em que residem como sendo suas áreas de vivencia e reprodução física e cultural. Os territórios abrangem as áreas ao longo do alto São Miguel, cujos limites se dá com a REBIO Guaporé, as terras ocupadas pelos fazendeiros e um conjunto de terras da União. Essas terras são predominantemente formadas por várzeas que sofrem grandes inundações entre os meses de dezembro a maio. Apenas uma parcela de pouco mais de 10% do território pretendido é constituída por terras firmes, adequadas á agricultura perene e á pecuária. Entretanto, cabe ressaltar que a proximidade com as terras da REBIO Guaporé impõe normas específicas para o uso e manejo tanto dos recursos naturais, quanto das terras onde se pretende desenvolver atividades agropastoris.
        O IBAMA mostra-se interessado na conclusão do processo de delimitação fundiária da comunidade quilombola, uma vez que esta deverá servir como aos avanços dos fazendeiros sobre as terras imediatamente contíguas à REBIO Guaporé. Porém é o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o órgão competente para emitir títulos de propriedade, conforme promulga o Decreto n. 4.887 de 2003; regulamenta o procedimento para a identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o Artigo 68 do “Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”.
            Atualmente a comunidade Quilombola de Jesus realiza a agricultura e a agropecuária de subsistência, aonde os terrenos são, em sua maioria absoluta, inundáveis, portanto pouco propensos à agricultura e ao desenvolvimento da pecuária em decorrência da topografia da região.
           De acordo com Treccani (2006), todas as terras firmes que circundam a comunidade, incluindo os antigos castanhais, foram ocupadas por fazendeiros e grandes proprietários rurais. Essa tensão pela delimitação e posse da terra com conflitos e confrontos com a sociedade faz parte de um comportamento cultural histórico, pois terra no Brasil significa poder, status e acesso a créditos e benefícios do estado.
             A constituição de 1888 trouxe à tona a questão das sociedades quilombolas no Brasil ao estabelecer suas Disposições transitórias que ‘’ aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida à propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos’’(CFRB, 1988).
            As populações negras têm enfrentado enorme oposição quanto à posse e regularização das terras que ocupam e onde constituíram seus próprios sistemas de valores, produção, crenças e relações socioambientais, diversas daquelas estabelecidas pela sociedade envolvente.
          Diante da atual conjuntura de exclusão socioeconômica e abandono pelo poder publico em todas as suas esferas, é que a maior reivindicação dos moradores da Comunidade Quilombola de Jesus, neste contexto, é com a esfera pública.
         Segundo Oliveira e Baiocci, essa ligação com a territorialidade, vincula a comunidade ao seu território social, relacionado ao coletivo, que constitui um suporte material e simbólico indispensável à afirmação da identidade étnica dos integrantes da comunidade, assim como a continuidade de suas tradições.