terça-feira, 12 de abril de 2011

Viagem pelo Guaporé nas Comunidades Quilombolas

                                                              Diário de Bordo
Dia: 20
O clima era de grande expectativa, pois a pesquisa de campo se fará  pelo Vale do Guaporé, onde existem fauna e flora belíssimas. O objetivo da referida viagem é a coleta de dados quantitativos referente às mulheres quilombolas guaporeanas, além dos qualitativos: de palavras ou expressões diversificadas supostas de origem africanas  e demais dados a respeito como é o seu dia a dia, o que entendem por crenças, religiosidade, batismo; enfim conhecer um pouco a vida propriamente  dita  da mulher quilombola guaporeana, especificamente em Pedras Negras.

Dia: 21

A pesquisa ocorreu da melhor forma possível, pois se formou uma parceria com a SEDUC, especificamente com o Projeto Raízes, o qual a Profª. Raimunda Erineide Rodrigues coordena. Esse projeto visa o atendimento educacional das comunidades quilombolas e ribeirinhas do Vale do Guaporé.
A equipe era formada por Raimunda Erineide Rodrigues, Coordenadora do Projeto Raízes da SEDUC; Emanuel Robson de Almeida, motorista oficial da SEDUC e eu, Liana Ferraz funcionária da SEDUC e mestranda da UNIR, a qual irá defender a dissertação sobre a “A fala da mulher quilombola: identificação do papel da mulher quilombola na construção lingüística das comunidades de remanescentes de quilombo do Vale do Guaporé em Rondônia”.
Ressalta-se que, para realizar essa pesquisa tive problemas familiares de referentes à acomodação; pois se teve de embarcar a filha, Laís Jardim, de dois anos para a casa da avó em Colorado do Oeste/RO, pois a realização da pesquisa será uma viagem longa.
Seguimos o nosso trajeto até São Francisco do Guaporé; a chegada deu-se por volta das 20 horas. Preferimos dormir na casa da nossa amiga, Maria Aristida, gente muito hospitaleira.


Dia: 22

Saímos às 08 horas de São Francisco do Guaporé com destino a Comunidade de Santa Fé em Costa Marques.
Para chegarmos a Santa Fé; passamos por Costa Marques e seguimos mais uns oito km para chegar na Comunidade de Santa Fé.
Ao chegarmos à Comunidade fomos recebidos por Dona Mafalda e sua família, os quais nos acolheram super bem e com bastante hospitalidade. Até esse exato momento todo o percurso foi feito via terrestre.
Ficamos alojados na casa da Dona Mafalda da Silva Gomes e do Senhor Sebastião Rodrigues de Almeida.
À tarde ficamos repousando, descansando, arrumando as bagagens e conversando a família Gomes.
O almoço e a janta foram servidos com grande fartura de peixe frito e caldo, arroz, salada verde, feijão e farinha de mandioca.
Foi interessante o suco de torronrá (tipo de fruta como laranja), que tem um sabor delicioso.

Dia: 23

Tomamos café com a Dona Mafalda e sua filha, Dalva. Logo após iniciei a caminhada pela comunidade com o intuito de conhecê-la.
A comunidade de Santa Fé é pequenina; tem duas  igrejas sendo uma  católica e a outra da Assembléia de Deus. Tem a Associação Quilombola de Santa Fé. Nessa Associação funciona a Educação de Jovens e Adultos e o Brasil Alfabetizado, ambos oferecidos pela Secretaria de Estado da Educação em parceria com o município de Costa Marques.
A coleta de dados foi iniciada; quanto ao nome, idade, pai, mãe de todas as pessoas do sexo feminino, desde as crianças, jovens, adultos e idosos. Para realizar essa coleta tive o apoio e dedicação da Profª.Fernanda dessa comunidade.
Foram entrevistadas várias mulheres sobre suas vivências e foi a D. Mafalda entrevistada, que é a matriarca da comunidade, pois possui uma grande liderança no local.
            Outro fator interessante é que o café da manhã é recheado de peixe frito com farinha de mandioca, pois sou fã de peixe frito. Acredito que sou um pouco guaporeana.
Na comunidade já existe energia elétrica desde o dia 24/08/2010, o que facilita a melhoria a vida da comunidade em geral. Agora a água ainda não veio é a utilizada é do poço cartesiano que cada um tem.


Dia: 24

Durante a conclusão do levantamento quantitativo das mulheres pode-se perceber claramente que as maiorias das mulheres só cuidam da casa e das crianças.
Atualmente elas não lidam na roça e nem na farinha para sobrevivência.
Segundo Dona Mafalda da Silva Gomes não tem como produzir mais a farinha, a prefeitura prometeu maquinário, mas este não veio e a população diz:
- “Mais até hoje, nada”!
Ela falou que quando  tinha farinha ia para cidade vender de mercado a mercado, mas os comerciantes queriam pagar pouco. Então, ela preferia pagar 10 reais por saca e mandar pelo barco do Governo com destino a Guajará-Mirim, lá eles pagam 120 reais por saca.
Outro fato marcante é a telefonia móvel, que facilita a população entrar em contato com o mundo lá fora. Ressalta-se que a ausência de posto de saúde na localidade, portanto quando as pessoas passam mal tem de irem para a cidade, que fica cerca de 8 km da cidade.
Nessa localidade os alunos que cursam ensino fundamental ou médio vão estudar na cidade, pois a prefeitura municipal possui o transporte escolar.
Essas informações foram obtidas através dos questionários com as mulheres mais idosas
Dia: 25

Saímos logo pela manhã; a pesquisadora e Emanuel e eu com destino a Comunidade do Forte Príncipe da Beira. Essa comunidade fica cerca de 30 km via terrestre de Costa Marques.
Fomos recebidos pelo Presidente da Associação Quilombola do Forte, Elvis Cayaduro Pessoa e a Profª. Edilaine Barros Fernandes.
Conversamos sobre a vida da comunidade quilombola, as benfeitorias e as necessidades locais que a comunidade ainda necessita.
Após essa conversa informal, iniciei a caminhada de casa em casa, juntamente com a Profª. Edilaine, para coletar os dados sobre todas as mulheres quilombolas guaporeanas.
Tudo isso, servirá para mapear o quantitativo de mulheres quilombolas do estado de Rondônia

Dia:26

Conclui a coleta de quantitativo das mulheres na comunidade do Forte Príncipe da Beira, sobre as mulheres quilombolas.

Dia: 27

Deslocamento de Costa Marques para Porto Rolim do Guaporé, no famoso barranco Baía da Ponte. Ao chegamos fomos recebido pelas pessoas que estavam na Baía..
Cerca de uma hora depois, a voadeira da SEDAM veio nos buscar. Agora o trajeto foi feito via fluvial do barranco até o porto do IDARON em Porto Rolim do Guaporé.
Lá na sede do IDARON fomos recebido pela equipe do IDARON local e de Rolim de Moura.
O alojamento é bastante aconchegante e ficamos no quartinho de recepção aos agricultores cercados de materiais eletrônicos e elétricos, pelos  quais demos o nome do nosso quarto: auto-track, pois auto-track é um aparelho eletrônico que é usado no barco pela equipe do IDARON.
Mas com todos esses eletrônicos o nosso quarto era aconchegante, mas muito gelado...
À noite fomos conhecer a feira local, onde pudemos saborear pastéis deliciosos na barranca da amiga, Marilena Tesser, cujo reencontro foi uma felicidade. A entrevistadora não a revia a anos e ambas ficaram muito felizes.
Ao voltarmos para o nosso alojamento, a equipe do IDARON tinha preparado um caldo de peixe com arroz e pirão. Portanto, tivemos de comer novamente.
A equipe do IDARON nos tratou muito bem e nos deixou à vontade.

Dia: 28

Acordamos e fomos convidados a tomar café da manhã na do Sr.Charles Pães, administrador de Porto Rolim do Guaporé e funcionário da SEDAM.
Saímos do porto às oito horas e vinte minutos com o piloteiro Leonardo Salazar com destino a Laranjeiras. A viagem é via fluvial, durou cerca de três horas. Durante o percurso paramos no porto de Suzana do lado boliviano (Sete Cruzes). D. Suzana é uma pessoa extremamente agradável, simples, trabalhadora, pescadora, enfim mulher de garra e firmeza.
Continuamos o nosso percurso até Laranjeiras, lá na comunidade pela Rosilaine Tapioci Gonçalves, na sua casa singela e já foi preparar o famoso cafezinho preto para nós.
Logo, em seguida chegou o Profº. Anderson Tapioci  desejando boas vindas e solicitando o apoio e as reinvidicações educacionais da comunidade.
O profº Anderson chamou todas as mulheres para a casa de Rosilaine, para que a pesquisadora pudesse iniciar a coleta de dados referentes as mulheres quilombolas guaporeanas. Foi efetuado um levantamento quantitativo de mulheres quilombolas nessa localidade.
Atualmente a localidade tem apenas cinco famílias na comunidade.
Almoçamos com a Dona Suzana e seguimos viagem por via fluvial para Porto Rolim do Guaporé.
À noite jantamos na pousada da Profª. Osmarina, um excelente peixe, arroz, salada e banana frita.


Dia: 29

Tomamos café na pousada da Profª. Osmarina e logo retornamos para a sede do IDARON.
Por volta das 10 h saímos do porto do IDARON junto com o piloteiro Leonardo Salazar com destino a Pedras Negras.
A viagem fluvial durou cerca de quatro horas admirando as belezas naturais que o rio Guaporé oferece. Durante o nosso percurso almoçamos no Barco Rey do proprietário Renato de Cerejeiras/RO, pois havia vários piloteiros amigos da pesquisadora.
Fomos bem recebidos pela tripulação e pescadores, onde nos ofereceram um maravilhoso almoço com churrasco, peixe e outras coisas mais.
A pesquisadora ficou muito feliz por rever inúmeros amigos como: Davizão, Chupin.Tatica, Dona Andréa, Paico e Edivaldo.
Após o almoço continuamos a nossa viagem.
Chegamos a Pedras Negras por volta das dezesseis horas. Logo descarregamos o barco e subimos moro acima, direto a casa da Dona Aniceta Gomes onde ficamos alojados. O jantar foi tartaruga com arroz e feijão.
Após o jantar ficamos batendo papo com Dona Aniceta e Francisco seu filho até 21 h. Contando a vida de morar de morar em Pedras Negras.
A pesquisadora percebeu que tudo é comemoração na localidade. Havia dois aniversariantes, logo foi motivo de se reunirem no salão do dia 8 de dezembro, com organização do Francisco.
O festejo foi regado de farofa de tartaruga, vinho e velho barreiro, além de três caixas de som. Povo simples mais feliz com tanta alegria.

                                         Dia: 30

Acordamos às sete horas. A Dona Aniceta já tinha preparado o café da manhã e estava fazendo o bodó com o ovo de tracajá.
Iniciamos a coleta de dados das mulheres quilombolas pela parte baixa da comunidade, onde se repetiu o levantamento quantitativo da cidade anterior.
Nossa coleta teve bastante êxito, pois todas as mulheres foram bastante receptivas.
Após a parte baixa nosso destino foram com as moradias próximas a margem do rio Guaporé, onde fizemos mais uma parte da pesquisa de campo, onde se descobriu que a Dona Catarina é mãe de um grande amigo da pesquisadora, o Totó da cidade de Pimenteiras do Oeste/RO.
Fizemos um kit de sobrevivência na Mercearia São Francisco, produtos muito caros devido à dificuldade de acesso a referida comunidade.
Mais tarde iniciamos a pesquisa de campo pela parte alta da comunidade dando continuidade à respectiva coleta de dados. Deparou-se com pessoas espetaculares para a realização desta.
A pesquisadora percebeu que na comunidade de Pedras Negras é a Dona Aniceta Mendes Pinheiro que é a maior liderança da comunidade, todos os moradores têm grande admiração e respeito a ela. A mesma relatou que mora há cinquenta e oito anos e tem sete filhos, trinta netos e dez bisnetos.
A Dona Aniceta tem sonho de sair de Pedras Negras, porém só não sai porque o seu filho Francisco tem um gadinho, e ela não quer deixá-lo só.
Outras pessoas muito influentes são o Sr. Apolônio França Neto, presidente da Associação Quilombola de Pedras Negras e o Sr.Francisco Edvaldo Pinheiro, presidente do Conselho Fiscal; são pessoas naturais de Pedras Negras, os quais os moradores têm respeito e admiração. São lideranças natas na comunidade.


Dia: 31

À tarde fomos para a mangueira que fica atrás da Igreja de São Francisco. Lá foi realizada uma reunião técnica com pais, professores, alunos e SEDUC/SFG e PVH, com o objetivo de verificar o andamento das aulas e do sistema de ensino na comunidade.
Coletei mais dados referentes às mulheres quilombolas que moram na própria comunidade. Também referente a coleta de dados quantitativos e qualitativos referentes aos anexos 5-6, além das pessoas que foram feitas as gravações das entrevistas, sobre a transmissão da oralidade africana e sobre as vivências, a reação a ganhos e perdas (como a morte), costumes rituais, etc .
À noite Dona Aniceta fez duas tracajás com arroz. Estava delicioso. Outra novidade para mim foi comer a muchanger.
O muchanger faz assim: Coloca os ovos, tira à clara, põe o açúcar e a farinha, diz que é uma comida afrodisíaca.

Dia: 01

Acordamos muito dispostas eu e com a amiga da pesquisadora, a Erineide; foi efetuada uma limpeza na casa. As roupas foram lavadas e o almoço foi preparado.
Ainda no período matutino terminamos a coleta de dados, iniciados  nos dias anteriores.
Por volta das quinze horas, a pesquisadora se dirigiu para a casa da Vanda para responder o questionário referente à vida em geral da comunidade como também a questão do batismo, morte, nascimento, aniversários comemorados pela comunidade.
De lá fomos entrevistar a Dona Teodora, que é muita antiga na comunidade, é irmã da Dona Aniceta. Esta salientou que antigamente na comunidade tinha mais ou menos noventa famílias e que possuía cartório civil, com escrivão e juíza. Havia um belo posto de saúde disse que jamais haverá outro igual como naquele tempo.
Voltamos da casa de Dona Teodora após uma chuva de café, muita água e vento. Ao chegarmos tivemos de dobrar as roupas e passa pano na casa, devido a chuva.
Convidaram-nos para alvorada do aniversário da Mica que estava fazendo 15 anos então a minha amiga, Erineide foi logo preparando uma torta salgada de carne, para essa comemoração.
Hoje houve falta de água, mas logo Emanuel e Francisco foram buscar água nos baldes. O clima agora está mais fresquinho.
Além disso, as pessoas se mostravam hospitaleiras e receptivas; e, que ela não tem como agradecer o apoio, dedicação e hospitalidade da Dona Aniceta e sua família. Agradece ao Divino Espírito Santo e Nossa Senhora da Conceição e solicita as  bênçãos e proteção para todos.
Tudo indica que a pesquisadora, já estava incorporando e/ou interiorizando as crenças e o modo de vida dessas mulheres.

Dia: 02

Acordamos às oito horas da manhã, a madrugada foi de muita chuva.
Tomamos café com bolinho de tartaruga, uma verdadeira delícia guaporeana. Dona Aniceta não sabe o que fazer para nos agradar.
O sol está muito belo, fui à escola realizar a entrevista com a Dona Francisca França Santiago conhecida por Chica, ela mora a 30 anos na comunidade. É uma pessoa muito religiosa e dinâmica.
Fui também à casa da Dona Maria de Jesus, conhecida por Peteca, agendar a hora de irmos ao sítio, pois  ela é agricultora e adora ir para lida.Fiquei de ir após o almoço. Fui ao sítio da Dona Peteca às 13h30min com a Mica, sua neta, que é filha da Madá.
Fomos andando a pé, o percurso é de aproximadamente 5 km e demoramos 20 minutos.
A Dona Peteca vai diariamente ao sítio para carpir e o Sr.Mamuel teu esposo vai cortar madeira e cuidar da criação, tudo isso bem cedinho. Quando os netos chegam da escola por volta de 12 h vão com destino para o sítio. Os netos ajudam no sítio também.
Durante a caminhada para chegar ao sítio admiramos as belezas de fauna e flora que existem na natureza.
A Dona Peteca e Sr. Manuel ficaram muito felizes com a minha presença.
A pesquisadora gostou muito, pois aprecia a natureza e, principalmente, o convívio com pessoas maravilhosas, que são simples e humilde, mas tem muito a dar.
A Dona Peteca planta mandioca para fazer a farinha. Ela faz a farinha na beira do rio, é cansativo, mas é o que ajuda no sustento da família.
Peteca disse que vai fazer uma casinha no sítio, ela disse que quando eu voltar estará melhor.
Quando voltamos do sítio a tardinha, estava Eri, Emanuel, Francisco e Dona Aniceta embaixo da mangueira comendo arroz com tracajá e ovos cozidos.
Forneceu a receita do preparo da farinha de mandioca:
·             Arranca a mandioca;
·             Descasca a mandioca;
·             Coloca de molho a macaxeira por três dias no sol quente;
·             Escorre a macaxeira na prensa;
·             Vai peneirar a macaxeira;
·             Coloca para torrar no forno (um dia inteiro);
·             Ensaca e vende para Pimenteiras e Porto Rolim.

Dia: 03

Levantamos cedo com o intuito de realizar as entrevistas com a Dona Catarina e Dona Maria do Carmo, sobre a transmissão das falas africanas e referentes aos anexos 5-6.
Passamos logo na casa Dona Catarina, mas ainda estava dormindo.
Seguimos com a Chica e sua filha até a escola, lá os alunos estavam se preparando para entoar o hino nacional.
Tiramos algumas fotografias e fui para a residência da Dona Maria do Carmo. Lá estava Dona Maria varrendo o quintal, rodeada de crianças.
Começamos a realizar a entrevista sobre o urucum, que ela utilizada para a sua própria alimentação.
Durante a realização da entrevista percebi o sofrimento e a angústia da mesma, pois a mesma ressaltou que depois que saiu da casa da sua mãe nunca mais foi feliz. Ela espera um dia ser feliz. Fou sobre um acidente onde acabou com a sua felicidade.
A história dessa senhora comoveu a pesquisdora, por tamanho sofrimento que acabaram  em lágrimas e lhe foi dito: - “Um dia você achará a felicidade plena”.
Após a entrevista com a Dona Maria do Carmo fui para a casa da Dona Catarina Santiago. Estava gripada e febril, mais pude coletar um pouco da sua história.
Dela voltamos para Dona Aniceta e fomos ao castanhal com o Sr.Francisco. Fomos de carroça cerca de 3 km até o castanhal.
À tardinha Dona Aniceta foi fazer biscoitos.
À noite realizei entrevistar com a Maria Piedade e recolhi as demais fichas de entrevistas.
Dia: 04

Acordamos cedinho, preparamos todas  as bagagens e ficamos aguardando a voadeira do IDARON, com o Sr.Marcão.
Chegou por volta das 8 horas. A saída foi muito triste, com muito choro por parte de todos tanto da Dona Aniceta como nós. A  despedida é muito triste, pois ficamos sete dias e criamos um vínculo familiar. Obrigado por tudo mesmo, foi sensacional o apoio que tivemos com a família Pinheiro.
Às 8:20 horas partimos em nossa viagem via fluvial até Porto Rolim do Guaporé que chegamos lá já era 13 h.
Supresa: tinha mais gente alojada no IDARON.
Arrumamos as malas no nosso quarto auto-track e fomos a beira do rio, tratar os peixes para agente fazer o almoço.
A Erineide fez caldo de peixe com arroz. Após o almoço realizamos a faxina no IDARON.
Nesse dia falei com meus familiares matei a saudade de todos.

Dia: 05

Fomos à casa da Evinha lavar nossas roupas. O Sr.Ladislau veio almoçar conosco no IDARON.
À tarde foi destinada a digitar parte dos símbolos do Divino Espírito Santo na minha dissertação, já citados no capítulo quatro.
Em Porto Rolim há uma natureza extravagante, uma maravilhosa dádiva dos céus, onde tiramos várias fotografias interessantes.


Dia: 06

Porto Rolim é uma comunidade quilombola com certidão de autoreconhecimento pela Fundação Palmares, mas na verdade é que a grande maioria das pessoas, não se considera quilombola, apesar de serem descendentes de quilombo e viver em comunidade de características quilombola. Provavelmente, isso ocorre devido ao grande fluxo de agricultores e fazendeiros na comunidade.
Realizamos a coleta de dados quantitativo das mulheres e se fez a digitação desse quadro com algumas palavras ou expressões e seus informantes.


Dia: 07

O desfile do dia 07 de setembro teve iníco à nove horas e foi bem participativo por todos da comunidade e visitantes das cidades vizinhas.
O desfile é um evento tradicional da comunidade, sendo prestigiado e esperado por todos os moradores do Vale do Guaporé.
Nos pelotões das escolas havia um representando os quilombolas, inclusive com vestimentas bem rústicas.

Dia: 08
 
Embarcamos para a Baía, com destino a Rolim de Moura.
Ficamos alojados na REN de Rolim de Moura.

Dia: 09

Destino de São Miguel do Guaporé, direto para a Comunidade De Jesus.
Na comunidade de Jesus fomos recebidos pelo Patriarca Sr.Jesus Gomes de Oliveira. Apresentou-nos a toda a sua família, a qual faz parte dessa comunidade.
Na comunidade há 01 igreja, 01 escola municipal que atende ensino fundamental regular e o CEEJA, que se trata de um Centro de Educação de Jovens e Adultos.
A matriarca Dona Luiza Assunção está adoentada, ficando sobre os cuidados do Sr.Jesus e suas filhas.
A comunidade é pequena e todos fazem parte da família do Sr.Jesus.
À tarde foi iniciada a coleta de dados referente às mulheres quilombolas. Foram anotados os dados de filiação, nome e idade das mulheres, sendo que foram bem receptivas. Conversou-se de maneira informal com as filhas do Sr. Jesus, a respeito da própria comunidade, como atividade diária, educação, saúde e lazer.
Foi percebido que a grande liderança é efetuada pelo Sr. Jesus Oliveira e que todas as decisões tomadas nessa comunidade necessita de sua aprovação.
Depois dessa etapa partiu-se para a sessão de fotografias com a Dona Francisca, filha do Sr. Jesus, acredita ter características marcantes africanas, cor linda e pele sem igual. Beleza negra.                                                                       

Seguimos o nosso destino para a casa do Sr. Mamuel filho do Sr. Jesus, que mora na beira do rio São Miguel, portanto o percurso fluvial foi cerca de vinte minutos rio acima.
Cadastramos as mulheres que ali moram, quanto ao nome filiação e idade (dados quantitativos). Não foi efetuada nenhuma entrevista de dados qualitativos, porque a amostra não se encaixava nesse objeto de estudo.
Retornamos direto para Rolim de Moura


Dia: 10
  
Saímos de Rolim de Moura com destino a Guajará-Mirim objetivando outras etapas da viagem; seguindo pelo Rio Mamoré, até o Forte Príncipe da Beira, localizado na cidade de Costa Marques em Rondônia.
 Chegamos a Guajará-Mirim, cerca de vinte horas.

Dia: 11

O relatório denominado Diário de bordo foi concluído, até o momento.

Dia: 12

A mestranda foi para casa da sua co-orientadora Profª Geralda Angenot em Guajará-Mirim, ela leu os meus relatórios de bordo e verificou os demais documentos que realizei durante a minha pesquisa de campo. Disse que está tudo maravilhoso e que se deve continuar nesse mesmo rumo. Ficou  muito feliz, pois para ela tudo é novo e fantástico.
Foi salientado que essa pesquisa está sendo uma grande experiência à nível pessoal e profissional, além de uma valiosa fonte de valores culturais de outras etnias,que até então era desconhecida por nós.

Dia: 17

Acordamos às cinco horas para concluímos a nossa arrumação, nunca vi tanto treco para levar numa viagem.
Sr.Anastácio com Sr. Afonso foram nos buscar às 8 horas; carregamos o carro e fomos direto ao porto do CENAG, para descarregarmos no Barco Canuto.
Arrumamos nossas bagagens no camarote 2 e logo após fomos realizar a faxina na cozinha e preparar o almoço. Pois, a cozinheira ainda não tinha chegado.
Pedimos para o Sr. Vilemar buscar coca-cola e salgados, pra serem o nosso café da manhã.
A entrevistadora falou com o esposo e a mãe avisando que iríamos subir o rio Mamoré e Guaporé.
Viajamos com cerca de vinte pessoas a bordo com destino ao Forte Príncipe da Beira.
Saímos de Guajará-Mirim às quatorze horas e vinte minutos, via fluvial no rio Mamoré, até o momento à viagem está sendo super tranquila.
O barco Canuto tem capacidade para 70 passageiros, 30 toneladas; possui 04 camarotes, 4 banheiros, 01 cozinha, 01 casa ou sala de máquina.
Tripulação do barco Canuto é composta por:
§              Piloto: é a pessoa que conduz a embarcação. Nessa viagem tinha dois pilotos que fazia o serviço de pilotar em forma de rodízio.
§              Motorista: é a pessoa que fica observando a execução do motor  na parte do convés do barco na sala de máquina. Sua função é ser motorista.
§              Cozinheira: é a pessoa que prepara a alimentação e cuida da cozinha por inteiro.
§              Marinheiro: é o responsável pela limpeza do barco,solta voga,coloca e retira a carga do porão.
§              Prático ou timoneiro: é o responsável de conduzir a embarcação.
§              Comandante: é o responsável pela embarcação desde a segurança da embarcação como também de passageiros.
Durante esse primeiro de viagem conheci pessoas maravilhosas como a Dona Rosa, Sr. Rubão e Nice... Gente finíssima.
Jantamos um macarrão, arroz e strogonoff, delicioso.
Após o jantar se tomou banho e realizou-se a escrita diária. Fazendo leituras do livro: Afros & Amazônicos-Estudos sobre o Negro na Amazônia e tiramos algumas fotografias.

Dia 18

A viagem ocorreu da melhor forma possível. Porém às 06h. e 30min. o tempo mudou repentinamente, o tempo mudou completamente, pois os pilotos e sua equipe de tripulação pensavam que iria chover, o rio ficou veloz juntamente com o vento.
Portanto por volta das seis horas e quarenta minutos, o proprietário da embarcação junto com sua equipe resolveu encostar o barco no barranco, com o objetivo  da segurança da tripulação e demais integrantes da embarcação. Nesse exato momento estávamos entre São Lourenço e Mercedes, cerca de cento e setenta km via fluvial de Guajará-Mirim no rio Mamoré. Ficamos parados aproximadamente uma hora.
Após passar o temporão continuamos a nossa viagem via fluvial.
Auxiliou-se na limpeza do barco e a grande amiga Erineide ajudou no preparo do almoço.
Hoje o dia inteiro ficou nublado.
Fomos almoçar por volta do meio dia e meia hora e logo após resolvemos descansar numa rede maravilhosa e um vento fantástico.
Aproximadamente às treze horas adentramos ao rio Guaporé no distrito de Surpresa, que pertence ao município de Guajará-Mirim/RO.
Por volta das dezesseis horas fomos pescar com o Sr.Claúdio, Dandê e Sr.Miguel; ficamos até vinte horas e não conseguimos pescar  nada. Mas, foi ótima a pescaria.
Durante o percurso da pescaria, passa-se pelo posto indígena Ricardo Franco que possui cerca de oito etnias ali localizadas.
Jantamos e fomos dormir.
Durante o dia, a pesquisadora tirou algumas fotografias e observou algumas palavras e expressões, comumente ali utilizadas:
Informante: Cláudio Roberto Maia Gomes
Zagaiar: Pesca predatória comum no Guaporé, cuja prática consiste  em capturar o peixe (principalmente tucunaré), fazendo uso  de uma fisga com o auxílio de uma lanterna e/ou similar.
Azular: pressa, vai embora, vaza.
Tá tocando zaráio: colocando para  lascar .
Tocando bronha: Punheta (masturbação masculina).
Coleada ecológica: “dar uma” no matinho ou na beira do rio.
Dia: 19

A tripulação do Canuto seguiu viagem às seis horas, em seguida tomamos o nosso café da manhã com pão caseiro e massaco, uma comida típica boliviana feita com banana, carne de sol e farinha.
Por volta das 08 h. encostaram-se ao barco o Sr. Claúdio, Xavier e Sr. Miguel voltando da pescaria com peixes e capivaras, pois eles tinham ido pescar na madrugada do dia anterior.
Aproximadamente às nove horas e vinte minutos, o barco encalhou próxima a praia. Essa praia estava repleta de biguás.
O cabo Jader, prático do barco Canuto encontram com um machucado de arraia, então o Sr. Cláudio com o Jéferson e Xavier foram procurar o faveiro e unha de gato, para fazer garrafadas e  compressas no pé. Esse povo ribeirinho acredita demais no poder das ervas, matos que a natureza oferece. Tudo isso, é cultural.
O barco Canuto novamente encalhou e aí demorou muito  para a equipe do Canuto conseguir desencalhar. O motor 40 quebrou e teve de realizar o apoio com o motor 25 do Sr. Rubão. Enquanto a equipe tentava desencalhar fui realizar minhas leituras diárias e admirar as belezas que o rio Guaporé desde os biguás, pássaros, botos cor de rosa, além de um rio lindo e paisagens maravilhosas.
Almoçamos baião de dois, vinagrete e peixe frito. Tudo estava delicioso.
A tarde foi de muito calor e novamente o barco encalhou na Casa Alta, local que eles chamam no rio, fica a duas horas do Forte Príncipe da Beira num motor 40. A equipe do Canuto tentou várias vezes desencalharmos, mas não obteve o sucesso. Portanto a tripulação conversou e decidiram que teriam de ir ao Forte Príncipe da Beira solicitar apoio e voadeiras com motor 40 para tentar desencalhar o Canuto, visto que há uma carga de 16 toneladas do exército do Forte.
Então seguiram para o Forte o Sr. Jader do barco Canuto e os soldados do exército, para solicitaram esse apoio.
O Dandê preparou a capivara na calda do abacaxi. Jantamos e fomos descansar.
Salienta-se que toda a equipe do Canuto trabalhou bastante durante os encalhamentos. A natureza é  fenomenal.

Dia: 20

A pesquisadora foi tomar banho e foi tomar café da manhã. Estávamos encalhados até dez horas, quando chegaram à equipe do exército com a chata e duas voadeiras com motor 40 e começaram a retirar parte da carga das cerâmicas.
Conseguimos sair do encalhamento aproximadamente às dezesseis horas, após o exército retirar parte da carga.
Hoje o casal Sr. Rubens e Dona Rosa, passageiros do barco, estão fazendo quarenta e cinco anos de matrimônio. Então, nós mulheres resolvemos organizar uma festa surpresa com bolo, champanhe, lembrancinhas e decoração. Além da montagem de slides sobre a vida conjugal dos dois e mensagens dos amigos, tripulação e demais convidados do barco Canuto.
Continuamos a viagem até o Estirão do Ouro Fino onde dormimos lá mesmo. Comemoramos à noite a festa surpresa do Sr.Rubens e Dona Rosa. A festinha foi maravilhosa e eles ficaram muitos felizes com a nossa criatividade.


Dia 21

Ao acordarmos tomamos o café da manhã; lavamos roupas e cozinhamos. Fomos pescar.

Dia: 22

Uma turma foi pescar na baía e o proprietário do barco  foi ferrado por arraia.
Nós fomos ao Forte Príncipe da Beira buscar  gasolina, água mineral e alguns produtos alimentícios para o barco Canuto de voadeira. Retornamos até o ponto em que o barco se encontrava.
Dia: 23
Assim houve o retorno para Porto Velho/RO.

Um comentário:

  1. FOI UMA VIAGEM MARAVILHOSA,AGRADEÇO A TODOS QUE DERAM APOIO.FICOU OTIMO LIANA, QUE DEUS ABENÇOE VC BJS (EMANUEL ROBSON S. DE ALMEIDA).

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